4 de maio de 2012

Igarapés (Atins)

Meu último dia em Atins...

Como eu já estava meio sem grana resolvi fazer só um passeio mais curto nesse dia, para ir conhecer o Igarapé que tem ali próximo da vila de Atins. O riozinho é lindo. Água transparente e limpa (dá até para beber direto do rio, na parte mais distante do mar, onde ela não é saloba). Nessa época que fui o curso dágua estava baixo, com poucas partes boas para entrar com o corpo inteiro, mas mesmo assim. O legal é deitar na água, sentir ela passando e só relaxar. Paguei R$20 para o guia Maduro me levar lá. Mas perguntando e se informando bem dá para ir por si. Se eu tivesse ido por mim teria curtido bem mais.


Tinha também um passeio que achei bem interessante que era para avistar guarás (pássaros vermelhos típicos da região). Para esse passeio era preciso pegar um barco e ir até o outro lado do rio, onde esses pássaros costumam se reunir no final do dia. O passeio ficava por R$25, mas como eu estava com o orçamento apertado acabei não fazendo.

Almocei no restaurante em frente à Pousada da Rita. Comi um ótimo peixe frito (recomendo).

De tardezinha fui caminhar na praia, curtir o clima do local e tomar banho de rio. Fiquei na água curtindo até o sol se por e depois voltei para a pousada.
Foi uma tarde sem passeios, mas bem relax. Até porque nos dias atuais eu valorizo demais o "dolce far niente", ficar apenas parada, sentindo o calor, a brisa, ouvindo os pássaros essas coisas que não fazemos no dia a dia... pelo menos não no dia a dia da Grande Porto Alegre.


Conforme havia sido combinado às 6h da matina o toyota passou na Pousada da Rita para me pegar. Chegamos em Barreirinhas às 8h e às 9h peguei o ônibus de linha da Cisne Branco para São Luis. Às 14h eu estava na rodoviária de São Luis, fui para o Aeroporto e - adeus Lençóis Maranhenses - peguei meu voo de volta para Porto Alegre.

Espero que o relato ajude outras pessoas que forem viajar pela região de lençóis.
Se tiverem dúvidas ou quiserem mais informações é só perguntar que dentro do que eu souber respondo tudo.

3 de maio de 2012

Passeio da Lagoa Verde (em Atins)

No terceiro dia eu queria ir para Atins, outra cidade, ao lado da foz do Rio Preguiças. Primeiramente eu tinha a informação de que era possível chegar a Atins com uns barcos que faziam o transporte regular de passageiros, mas ao chegar lá constatei que essa informação estava ultrapassada e que esse barco já praticamente não era utilizado. Na verdade esse barco de transporte regular só é usado quando chove demais na região e os 4x4 não conseguem fazer a travessia até Atins. Esse roteiro pelo rio deixou de ser feito pois ele demora 5h enquanto os 4x4 fazem em cerca de 1h30.

Então existe a informação de que tem uns toyotas que fazem o transporte de passageiros (e eventualmente turistas) de Barreirinhas para Atins e vice versa. Teoricamente os carros saem de Barreirinhas por volta das 7h, mas o horário não é certo, nem é certo que sai todos os dias. Às vezes só sai à tarde. Enfim, a informação é mesmo meio desencontrada e é difícil ter certeza das informações. Sugiro perguntar para várias fontes a informação até ter certeza se que o carro vai mesmo sair e qual horário. Procure ver essa informação com os nativos, ou nas pousadas. Quando o carro lota eles costumam cobrar R$50 o transporte até Atins. A realidade é que infelizmente não há, para os turistas, informação precisa sobre como chegar em Atins. As agências não tem interesse que os turistas cheguem lá independente delas.

Como no dia em que estive lá não consegui confirmar se os toyotas iam sair no dia seguinte e eu não queria ficar mais um dia em Barreirinhas acabei fechando um roteiro para Atins, com a visita à lagoa verde com agência Rota das Trilhas (http://www.rotadastrilhas.com.br). O passeio é de dia inteiro, mas acertei que eu ia com eles, fazia o passeio mas não voltaria, ficaria por lá mesmo. O passeio inteiro sai por R$100, mas como fiquei lá consegui um descontinho.
No final saiu mais em conta do que se eu tivesse gastado R$50 para ir até Atins e lá ainda tivesse contratado alguém para me levar à lagoa Verde.

Depois de fazer a travessia do parque pelas trilhas de areia em meio à caatinga chegamos à vila de Atins, que fica junto à foz do Rio Preguiças. Demos uma rodada para ter uma ideia geral e já acertei onde eu ficaria, na Pousada da Rita. Deixei minha mochila o local e seguimos de 4x4 para o Canto de Atins, onde iríamos encomendar nosso almoço.
Existem dois restaurantes no Canto de Atins o da Luzia e do Antônio. O da Luzia é de longe o mais conhecido e famoso. Os camarões assados da dona Luzia figuram entre os pratos típicos da região e é muito conhecido "turisticamente" no entanto o que fomos era o Restaurante do Antônio. Não tem cardápio, você apenas escolhe entre camarão e peixe. Simples assim. Para quem não gosta de frutos do mar eles servem também salada, feijão e arroz. Fizemos nossa encomenda no restaurante e fomos para a Lagoa Verde pois o almoço seria na volta da lagoa. Pelo prato de camarões paguei R$24 (incluindo arroz, feijão e salada).

Vale comentar mais uma observação sobre os restaurantes do canto de Atins: depois conversando com um guia local ele me explicou que o Restaurante da Luzia ganhou a fama quando a esposa do seu Antônio era a cozinheira que trabalhava lá.
Então hoje, pode-se dizer que a comida servida pelos dois restaurantes é praticamente igual. O da d. Luzia é apenas mais famoso, porque foi o primeiro e ela é uma pessoa "estrelinha", gosta de aparecer. Enquanto o seu Antônio é um cara mais tranquilo e na paz que oferece um tratamento todo especial para os clientes. Muito gente boa ele. Se eu fosse aconselhar diria: vá no do seu Antônio!

Enfim, voltando ao passeio... eu já tinha ouvido falar que a Lagoa Verde era a mais bonita de todas (pelo menos nessa época do ano) e estava um tanto curiosa. Assim como no outro passeio os carros param a uma certa distância e depois temos que percorrer as dunas a pé. Nesse caso não eram "os carros" era "o carro" visto que éramos os únicos fazendo esse passeio nesse dia. Por ser um passeio mais distante, mais caro e beeeem menos divulgado pelas agências, o lugar é mais paradisíaco e tem menos pessoas. Ver a lagoa foi como uma visão, estávamos caminhando nas dunas brancas, com mais e mais dunas para todos os lados e eis que do nada surge aquela lagoa maravilhosa em meio àquele mundo de areia! Foi de fato "a visão"! O lugar é realmente lindo e o banho de lagoa maravilhoso. Vale a pena dar a volta a pé na lagoa e bater fotos de vários ângulos. E uma das coisas mais legais era a pouca quantidade de pessoas. Era só nosso grupinho de 7 pessoas e mais ninguém. Ficamos um bom tempo lá, curtindo o local.


Depois na volta paramos no restaurante do Antônio para almoçar. Meus camarões estavam MARAVILHOSOS! Tem um tempero único e ele é assado aberto ao meio, como se fosse um peixe. Bem diferente de outros camarões que já comi. Ao lado do restaurante tem um redário, para a galera deitar e tirar uma sonequinha depois do almoço. Às 16h o pessoal me largou de volta da Pousada da Rita e eles voltaram para Barreirinhas e eu fiquei em Atins.

Como já era final do dia fui caminhar pela praia e observar o belo por do sol.


Falando um pouco sobre a Pousada da Rita: Olhando de fora a gente não dá nada pela pousada, mas lá dentro ela é enorme! São vários quartos e na lateral ainda tem um espaço bem agradável com redes. A d. Rita me tratou mais como uma filha do que como uma hóspede. Fiquei 100% integrada na vida familiar. Meu quarto era simples, apenas com ventilador e banheiro particular, que saiu por R$30 a diária, incluindo um café da manhã simples. Como eu estava preocupada com a volta para Atins a própria Dona Rita e dua família ficaram todos empenhados em conseguir um transporte para eu voltar para Barreirinhas no tempo certo para não perder meu voo. Depois de muitas conversas aqui e ali a Dona Rita conseguiu fazer um dos toyotas mudar o horário de ir para Barreirinhas só para me levar. Foi muito legal o esforço de todos para fazer dar tudo certo para mim. Recomendo muito ficar na Pousada da Rita ela é uma pessoa ótima, que adora receber os turistas, conversar com as pessoas e trata todos como se fosse uma mãe.


Outra coisa legal é que na casa dela "moram" dois guias de turismo que você pode já contratar para os passeios locais. O "Maduro" é um dos guias que ficou me "dando atenção" falando sobre as coisas locais, sobre a vila e tudo mais. Ele é uma boa pessoa para se conversar e informalmente saber tudo sobre os Lençóis Maranhenses. Ele me falou do Igarapé que tinha próximo à vila e se propôs a me levar lá no dia seguinte. Ele contou várias coisas interessantes é um guri de bom papo, que conhece todo mundo e serve como uma excelente fonte de informações sobre tudo referente ao local, história, cultura, passeios, etc.

2 de maio de 2012

Passeio pelo Rio Preguiças (Barreirinhas)

O segundo passeio mais tradicional na região é pelo Rio Preguiças. Fizemos esse também pela agência São Paulo Ecoturismo. Saiu por R$50 +1,50 de taxas extras sem incluir o almoço (em Caburé).

O passeio é feito em uma voadeira (pequena lancha e com motor bem potente) que para em três comunidades: Vassouras, Mandacaru e Caburé.

Na primeira parada, em Vassouras o principal atrativo são os macaquinhos prego que vivem ali no local e basicamente (creio eu) se alimentam das porcarias que os turistas dão para eles. Não entrando nessa discussão, dá para dizer que o contato com os bichinhos é bastante simpático. Quando os turistas chegam eles começam a aparecer no mato à direita do bar. No entanto a simpatia tem limite e alguns macacos são espertos e abusados - cuide tudo que você tiver nas mãos. Eles podem inclusive levar sua máquina fotográfica e outras coisas que pareçam interessantes. Não subestime e rapidez e agilidade deles. Nessa parada, na "barraca da Graça" é possível comprar lanches, bebidas e artesanatos. Se der tempo dê uma caminhada pelas dunas ao redor que compõe os chamados "Pequenos Lençóis".


A segunda parada é na Vila de Mandacarú, onde é possível visitar o alto do Farol Preguiças de onde se tem uma bela vista da região. Quando o barco parar no trapiche certamente virão alguns "guias mirins" se oferecendo para levar até o farol. Eles vão rapidamente falar algumas coisas sobre o local e recitar uma ou duas poesias de Gonçalves Dias, que morreu em um naufrágio na área, na época em que ainda não tinha farol. Você na verdade não precisa dos "guias" porque o farol fica a duas quadras do trapiche, mas se quiser fazer a felicidade dos guris e incentivar a economia local não custa dar para eles uns trocados.

O farol em si fica em uma área da Marinha e sua visitação é rápida e cheia regras. Mas é gratuita e a subida até lá em cima vale a vista. Junto à base do farol há barzinhos e artesanato local.


A terceira e última parada é na vila de Caburé, onde é possível tomar banho de mar, banho de rio, almoçar e ainda tirar uma soneca nas redes depois do almoço.
Chegamos no restaurante e logo encomendamos nosso almoço, já sabendo que demoraria para ficar pronto. Existem alguns restaurantes na vila, uns junto ao rio e outros do lado do mar. Nós escolhemos ficar junto ao rio no tradicional e pioneiro Restaurante do Paulo. Os pratos para duas pessoas ficam por cerca de R$65. Para quem não quiser gastar tanto tem a opção de ficar apenas nos petiscos, que são um pouco mais baratos, mas nem tanto. Para quem estiver sem grana mesmo a dica é levar um lanche. É legal comer um prato tradicional lá no próprio restaurante, mas os preços são mesmo abusivos, prepare-se para isso.


Enfim... feitos os pedidos fomos tomar banho de mar. Caburé é uma vila localizada em um istmo entre o rio e o mar. O mar nesse local é forte e agitado, é preciso ter cuidado. Já o rio corre tranquilo sem oferecer grandes riscos. Depois do almoço o bom do local é de jogar uma das redes do redário e curtir a brisa enquanto tira uma soneca e faz a digestão. Curta o momento relax.

Depois a volta é só entrar na voadeira e curtir o retorno para Barreirinhas...

1 de maio de 2012

Passeio Circuito da Lagoa Azul (Barreirinhas)


Para o primeiro dia, como chegamos em Barreirinhas no final da manhã, reservamos o passeio mais tradicional, o Circuito da Lagoa Azul, que saía às 14h.
Pagamos R$50 pelo passeio + R$1,50 de taxas extras. O passeio foi acertado com a São Paulo Ecoturismo.

Pontualmente no horário combinado o nosso transporte passou na pousada para nos pegar. Ainda antes de começar de fato o passeio fizemos uma parada estratégica em um mercadinho para a compra de águas e lanches. Essa parada para a compra de água é padrão para todos os passeios que entram em uma área do Parque que não possua infraestrutura. Também é padrão que os carros tenham uma caixa térmica na traseira, onde são colocadas as águas compradas por todos. Não dê bobeira, entregue sua água para o guia colocar na geladeira.






A primeira parte do passeio acontece após a travessia do Rio Preguiças. Os 4X4 vão em direção às dunas e lagoas, mas antes de chegar lá eles percorrem trilhas de areia em meio a uma bela paisagem de caatinga e cerrado. São cerca de 40 minutos até chegar no local onde os carros param.


A partir daí o negócio é caminhar pelas duas. Tire seu sapato, chinelo ou qualquer calçado. A pedida é andar de pé descalço mesmo. E não esqueça de pegar sua água bem geladinha antes de adentrar no mar de dunas.


O número de lagoas e a quantidade de água é variável. Normalmente chove entre abril e maio (que é o período pré alta temporada) e durante junho e julho as lagoas estão cheias "esperando os turistas". Estive no Parque no inicio de maio e ainda não tinha chovido, ou seja as lagoas estavam vazias, apenas na lagoa do Peixe (que não seca nunca) era possível tomar banho. As pessoas estavam inclusive preocupadas com a falta de chuva, pois ela tanto poderia estar atrasada, como poderia não vir na quantidade necessária para encher as lagoas. E daí todo mundo que vive do turismo na região sofre com a falta de turi$ta$.

Porém, é fato, que mesmo com elas vazias (ou não tão cheias) a paisagem era linda igual. Durante a caminhada percorremos grandes dunas e passamos pelas lagoas azul, da paz, e outras que não lembro o nome. Mas o banho de lagoa mesmo, foi na Lagoa do Peixe, aquela que sempre fica com água. Nessa época que fui (após o feriado de primeiro de maio) tinha uma quantidade aceitável de pessoas. Sem excessos. Mas ouvi relatos de que na alta temporada as lagoas ficam lotadas de turistas. Aconselho fortemente fugir da alta temporada, as lagoas até podem estar mais cheias, mas pelo que ouvi, a quantidade de pessoas estraga o lugar. E sem contar que tudo fica mais caro. Acredito que abril, maio ou agosto e setembro devem ser os meses ideais.


Para quem faz o passeio na parte da tarde, dependendo de como estiver o tempo, o passeio finaliza com a observação do por do sol, do alto das dunas. No entanto no dia em que estive lá as nuvens fecharam o horizonte no final do dia e ficamos sem esse espetáculo.

No retorno antes de os 4x4 atravessarem a balsa, há uma série de tendinhas de artesanato, principalmente feito de palha de buriti. É tudo muito lindo e vale a pena comprar alguma coisa, nem que seja só para impulsionar a economia local. Mas a dica não é só para os artesanatos mas também para o lanche! Se depois de tanto caminhar pelas areias e tomar banho de lagoa você estiver com fome (e você vai estar) compre, nessas mesmas banquinhas de artesanato, as tradicionais tapiocas! Elas são pequeninhas, rápidas de preparar e tem vários sabores (entre doces e salgadas). As moças fazem em menos de 1 minuto e custa apenas R$2,00. Foi realmente e melhor tapioca que já comi. Vale a pena.

Depois de chegar na pousada, tomar um merecido banho a dica é ir para avenida beira rio, onde tem vários barzinhos e restaurantes.

Informações Barreirinhas

Informações Transporte / Hospedagem

Hospedagem em São Luis 
Assim como a maioria das pessoas, minha viagem começou por São Luis. Antes de ir para Barreirinhas passei uma noite hospedada no Hostel Solar das Pedras (http://www.ajsolardaspedras.com.br) que está localizado bem no centro histórico da capital. Pela diária, em quarto compartilhado, paguei R$28. O hostel é bom, bem localizado, com boa infraestrutura e café da manhã ok. Mas ao que me pareceu tem uma boate em frente ao Albergue o que gera barulho e confusão durante a noite. Se puder evite os quartos da frente.

Transporte São Luis - Barreirinhas
Para ir para barreirinhas tem várias opções, por meio de agências, taxis, ônibus fretado e ônibus de linha.

Qualquer agência que se preze vai querer te vender um pacotinho básico e tradicional de um dia (a partir de R$130), dois dias (a partir de R$250) ou três dias (a partir de R$350) para barreirinhas. Se você quiser elas também podem conseguir somente o transporte para lá, mas com o nariz torcido, porque o que elas querem mesmo é vender o pacote. Enfim somente o transfer para Barreirinhas as agências estão cobrando de R$50 a R$80.

Se você falar direto com uma empresa de transfer, você consegue o transporte mais barato. Essa foi a minha opção! A BRTur(fone (98) 3082.8825 / 9114.5813 / 9903.0471) é a empresa que consegui, que faz esse transporte mais barato. Saiu por R$40. Eles são especializados, fazem esse transfer todos os dias e não tem erro. Eles te pegam no hotel no horário marcado e deixam você em Barreirinhas no hotel que você tiver reservado. Simples e prático. Os ônibus são confortáveis, com ar condicionado e tem uma parada de 15 minutos para um café no meio do caminho. Em cerca de 3h30 você está em Barreirinhas.
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Há também os ônibus de linha que saem da Rodoviária. A empresa que faz o transporte é a Cisne Branco: http://www.cisnebrancoturismo.com.br e a passagem sai por R$28. Em Barreirinhas os ônibus param a duas quadras da praça principal. O problema é que o ônibus é pinga-pinga e vai parando em todas as cidades e vilarejos do caminho. Demora cerca de 4h30 de viagem. Se você for contar que um taxi do centro até a rodoviária sai por R$15, pode não valer a pena o custo benefício se comparado com os transfers.

Chegando em Barreirinhas, se você tiver reserva em uma pousada, tudo certo.
Se não tiver reserva a dica é ir na Agência e Operadora São Paulo. Eles tem um catálogo com todas as pousadas, suas fotos, infraestrutura e preços. Você escolhe as opções e eles ligam e confirmam o preço e a disponibilidade dos quartos. Só não vale fazer a burrada de chegar lá sem reserva na alta temporada!

Como eu tinha chegado sem reserva fui direto no catálogo, selecionei as mais baratas e logo fiz minha escolha a Pousada do Porto, na beira do Rio Preguiças. Paguei R$50 por um quarto para uma pessoa com TV e Ventilador. Se fosse com Ar-condicionado saía por R$60. Um casal de amigos que estava junto pagou R$80 por um quarto duplo com ar e frigobar. Mas a grande vantagem é que meu quarto tinha uma linda vista para o Rio.
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Com relação aos passeios há umas 5 agências no centro de Barreirinhas, todas vendendo passeios semelhantes. Fechamos tudo com a São Paulo Ecoturismo(http://saopauloecoturismo.com.br), cujo atendimento é ótimo! Os guias são bons é tudo super organizado e a D. Maria que é quem "administra" o local é super gente fina e uma grande conhecedora do PN. Os passeios que ela vende não dão erro. Até porque eles não apenas vendem os passeios, eles mesmo operam.

3 de setembro de 2011

Impressões sobre o Equador

Minhas Impressoes do Equador

Valorização do país: Em vários aspectos, se vê uma tentativa de valorização do país. Eu achei bem legal que ontem no jornal que eu estava vendo de noite (uma espécie de Jornal Nacional) Eles dão dicas de locais para os Equatorianos viajarem dentro do país. Pelo modo como a moça apresentou o bloco, parecia tipo uma série de programinhas que devem ser apresentados uma vez por semana ou algo assim. Bem legal! Ontem a dica era conhecer Otavalo.

Higiene: A falta de higiene generalizada é um problema no país. Nos restaurantes principalmente. Não sei como podem viver assim. Só os mais turísticos são mais limpinhos. Fico pensando no Lineu (da Grande Família) aqui. Ele batia com a fiscalização dele aqui e fechava o Equador inteiro. Ponto Negativo

Estradas: Estou bem impressionada com a qualidade das estradas do Equador. Não são excelentes, mas são bem boas comparando com outros setores do país. As que eu andei até agora são bem sinalizadas e com várias obras de melhorias. Para Otavalo por parte da estrada está sendo duplicada. Para cá também obras de melhorias. Ponto Positivo.

Carros: Eu estava percebendo a quantidade absurda de caminhonetões que tem por aqui. Dessas pick-ups com caçamba. Sei lá chutando alto daria para dizer que 1/3 dos carros aqui é uma pick-up. Eu não conseguia entender porque tantas dessas. Hoje tudo se encaixou. É feriado a as famílias que saem para viajar, vão de bando e de caminhonete. As pessoas vão sentadas ali na caçamba. Contei até 7 pessoas (crianças) numa dessa caçambas. Normalmente os adultos vão na cabine e a criançada vai sentada ali atrás. E isso é super normal!!! Hoje na estrada enquanto esperava o ônibus comecei a contar. Mais de 20 carros com pessoas na caçamba em um tempo de 12 minutos.
Outra coisa 1: tem um monte de carros diferentes do Brasil. Um que me chamou muito atenção é um tal de Chery. Gostei dele.
Outra coisa 2: muitos carros andam por aí sem placa. Isso, sem placa, carros antigos, novos, vários tipos e tamanhos simplesmente não tem placa. Isso também não parece ser um problema.
Outra coisa 3: Não se usa cinto de segurança. Na verdade nos ônibus esse ítem nem existe.

Propaganda do Governo: Ontem de noite antes de dormir fiquei vendo TV e fiquei também bem impressionada com a quantidade de propaganda do governo que passa na TV. Dizendo que o Equador está melhorando, que está construindo estradas. Dizendo para as pessoas aproveitarem o seu país, dizendo sobre facilidades para abrir sua empresa, ensinando a economizar energia coisas, bem práticas. Não achei apelativo, achei útil para a população.

Costa: ontem no jornal também vi que tinha a ameaça de ondas gigantes (3m) em algumas cidades do litoral. Assim que as pessoas estavam proibidas de entrar no mar(!).  Espero que até eu chegar no Litoral isso já tenha passado. Na reportagem da TV as pessoas que trabalham no litoral estavam bem indignadas porque isso afasta os turistas (claro).  Todas as saídas de barco tinham sido suspensas e estavam fazendo umas evacuações em uma parte de Galápagos.

2 de setembro de 2011

De volta a Porto Alegre

Escrevo este post confortavelmente sentada na minha cama, coberta com a minha linda colcha Equatoriana... :)

Enfim a viagem terminou... foi tudo ótimo. Cada passeio foi inesquecível.
Os vulcões que vi de longe e os que eu subi, as águas termais que entrei, as baleias em alto mar, as centenas e centenas de pássaros, os caranguejos pelo mangue, o voo de canopy, os passeios pelas grandes cidades, as ruínas Incas, o ovo em pé na metade do mundo, os muitos mosquitos da costa, o banho no rio Napo, as feiras artesanais, as lagunas de águas azuis em crateras vulcânicas, o passeio a cavalo, as velas nas igrejas, as visitas aos parque nacionais, a descida de bike, as muitas caminhadas, a travessia da ponte Bahía-San Vicente, o sobe e desce da altitude, as muitas horas dentro dos ônibus, as comidas desconhecidas, os passeios de barco...
Os muitos dias de calor, as noites de frio, muitas manhãs de chuva...
Os hostels ótimos e as espeluncas.
Tudo, tudo valeu a pena... Tudo virou experiências, histórias e recordações que vou guardar para sempre.

Muitas pessoas me perguntam quanto saiu tudo isso:
Foram U$1.100,00 no Equador + U$ 474,00 na passagem aérea.
Considerando que fiquei sempre em hostels e gastei pouco em comida, mas não economizei nos passeios.
Em média ficou quase U$50 por dia.

E agora? Bom... agora de volta à realidade. De volta às aulas (tenho 2 artigos para entregar em 15 dias!).
Procurar um novo emprego... enfim... essas coisas.

Para quem acompanhou, espero que tenha gostado. Foram quase 2500 visitas ao site. Muitas mensagens trocadas por twitter, facebook e e-mail...

Agradeço a todos pelo carinho e incentivo! Principalmente àqueles que praticamente diariamente comentavam os posts e me faziam ter certeza de que alguém estava lendo o que eu escrevia. Gracias!

Quando houver uma próxima viagem (Uruguay provavelmente) farei um novo Blog!

De volta ao meu quarto, à minha cama, mas com uma bela colcha nova!

1 de setembro de 2011

Último dia - Quito

Referente a 31 de agosto

Ontem era o último dia da viagem. Eu pretendia acordar cedo para fazer um passeio guiado pelo centro histórico (a própria prefeitura quem organiza esses passeios). Mas o que aconteceu é que não consegui acordar a tempo de ir para o passeio, que saía às 9h lá do centro histórico.

Como eu perdi o horário, resolvi inverter a ordem das coisas. Fui então fazer umas comprinhas no Mercado Artesanal do Mariscal, próximo ao hostel. Esse, assim como os demais mercados do Equador era enlouquecedor... mil coisas lindas (e muitas inúteis tbm). Tudo era  lindo e colorido. Comprei alguns poucos e pequenos recuerdos e me rendi e comprei uma colcha lindíssima para a minha cama.

Em seguida fui me informar se havia ainda algum outro tour que eu pudesse fazer para conhecer melhor o centro histórico. Acabei descobrindo que tinha um passeio (tbm desses da prefeitura) às 14h. Ele deveria durar umas 2h. Eu teria que sair correndo, pegar a mochila no hostel e ir para o Aeroporto para estar lá antes das 17h. Ía ser meio apertado o tempo, mas achei que valeria a pena.

Guardei tudo na mochila (inclusive as últimas comprinhas) e deixei ela pronta para só pegar e ir para o Aeroporto. Daí comi uma pizza rapidinha na praça central do bairro Mariscal e fui para o centro.

Logo descobri que o passeio não era exatamente o que eu esperava, não tinham explicado muito bem antes, mas tinha vários tipos de tours, alguns temáticos e esse que eu iria fazer era com o tema de igrejas.  Assim que depois de uma boa explicação sobre a história da cidade na praça principal (Plaza Grande) íamos visitar um museu em um mosteiro, uma igreja (a catedral) e outra igreja.

Não era isso que eu queria, mas ok... lá fui eu. A guia era boa, mas o tour era muito cansativo, entramos no primeiro local (um mosteiro) e ela explicava obra por obra, falando de cada santo, cada quadro...ufff... Mega cansativo!!! Ficamos uma hora nesse mosteiro! O ponto alto foi quando subimos na torre da igreja e tivemos umas visões legais da cidade. Depois o próximo ponto de visita foi a catedral, que foi bem legal. Pena que eu já estava bem cansada de tantas explicações sobre santos. A catedral é mesmo bem bonita! Com várias decorações em ouro e tal. Pena que era proibido tirar fotos.

Saímos da Catedral às 16h. Ainda íamos visitar outra igreja, mas daí eu expliquei para a guia que tinha que ir para o Aeroporto pegar meu voo e saí antes de terminar o tour.

Peguei um taxi, passei no Hostel e direto para o Aeroporto. Cheguei bem no horário!  A partir daí foram só Aeroportos. Quito-Lima de tarde, depois de noite Lima-São Paulo e de manhã São Paulo-Porto Alegre. E, de volta à terrinha...

Fotinhos
Tour guiado na Plaza Grande

Em frente à Catedral

Virgen de Panecillo, a protetora de Quito

A basílica

Ruas do centro colonial

31 de agosto de 2011

Vulcão Cotopaxi

Meu bus que vinha direto de canoa, devia chegar em Quito pelas 5h30-6h da matina, mas diferente disso a realidade é que ele chegou às 4h15!!! Isso mesmo, com mais de uma hora de antecedência. Isso significava duas coisas: eu não ía perder o tour para o Cotopaxi por chegar atrasada e teria que pagar uma diária a mais, porque eu certamente ía dormir entre 4h30 e 6h (principalmente depois de ter passado a noite viajando).

Peguei um taxi e fui para o Hostel Backpackers Inn (o mesmo que tinha ficado quando cheguei em Quito no primeiro dia de viagem). O passeio saía a 3 quadras do hostel, assim que no horário combinado eu estava no lugar combinado. No total o tour eram 11 pessoas e fomos em 2 carros. O pessoal do meu carro era todo mundo gente fíníssima e animadíssimos: Eu, uma alemã, uma Brasileira (que na verdade vive desde que nasceu na Austrália), uma francesa e um casal de Liechtenstein. No outro carro ainda tinham 4 Israelenses e 2 Venezuelanos.

O plano do passeio era ir até o parque, fazer uma parada rápida no museu para explicações, ir até o estacionamento, onde ficariam os carros  (a 4.500m). De aí subir caminhando até o Refúgio (4.800m) e de possível chegar até a geleira (+/- 5.000). Depois disso, descer, pegar os carros e fazer a descida de bicicleta (downhill) até a Laguna Limpiopungo (3.800). Depois de tudo isso almoçar e regressar a Quito.

No caminho para o parque (que fica um pouco ao sul de Quito) o vulcão estava super encoberto, mas à medida que fomos descendo algumas nuvens foram se dissipando. Quando chegamos no Museu (para explicações mais técnicas sobre o vulcão) o Cotopaxi já começava a mostrar a sua cara. Fomos subindo mais e o tempo fechou de novo com nuvens e muito, muito vento.

Chegamos no estacionamento e o tempo estava 100% fechado, com chuviscos e um vento absurdo. Mal conseguíamos ficar em pé. Nesse momento os casal de venezuelanos e duas gurias de Israel nem desceram do veículo. O vento fazia com que o frio fosse absurdo, mas eu estava preparada e muito bem agasalhada. Só me faltou uma manta para cobrir a boca enquanto respirava e para proteger o rosto das pedrinhas que voavam na cara pela força do vento... mas ok.

O vento, o frio e a altitude faziam com que a subida fosse bem pesada (lembrando que eu saí de Canoa, na altura do mar e vim praticamente direto para subir acima dos 4.500.m.a.n.m). Mas sobretudo o que mais incomodava era o vento que me fazia perder o equilíbrio todo o tempo. Passo a passo, rumo a cima, em um momento, logo depois do início da subida comecei a sentir uma dor na cabeça (se alguém passasse mal a ordem era voltar na mesma hora e esperar nos carros). Parei, sentei em uma pedra e pensei que não ía poder continuar. Fiquei sentada tomando fôlego e percebi que não era dor de cabeça era uma dor no ouvido, pelo vento gelado! Baixei a toca por sobre o ouvido e depois de uns instantes melhorou! Ufaa.... Desistir nos primeiros metros teria sido frustante.

Bueno, segui acima, cada passo era um passo. Sempre para frente e sempre para cima. Algumas pessoas logo foram mais rápidas, mas eu fiquei com os retardatários. Com toda paciência.... caminha, caminha, pára, respira, caminha, caminha, pára respira e assim fui subindo.  Uma hora olhei para cima e vi um telhado amarelo. Era o refúgio! Eu estava no meio do caminho. Mais força... caminha, caminha, pára, respira, caminha, caminha, pára respira e logo cheguei no refúgio! Alguns já estavam lá e outros estava um pouco atrás de mim. Quando cheguei todos me parabenizaram por ter ido dos 0 aos 4.800 em menos de 12h. O guia me confessou que achava que eu não ía conseguir. Mas cheguei lá! Na verdade para mim, apesar do vento foi mais fácil que subir o retorno da Laguna Quilotoa (lá sim, eu fui ao meu limite)

Como já era de se esperar não tínhamos como tentar chegar na geleira com aquele vento. Quanto mais para cima mais forte ficaria. Regras da natureza, aqui quem manda é o vulcão. Se ele coloca esse vento como obstáculo, temos que obedecer.
A verdade é que se não fosse pelo vento, não teria sido tão difícil a subida. Mas eu sou leve e o vento para me desequilibrar é fácil.

Logo no princípio quando chegamos lá em cima, não víamos nada... nem sinal do cume. Mas quando começamos a descida ele começo a aparecer entre as nuvens e o tempo começo a abrir um pouco. Deu para fazer algumas fotinhos.

Bueno, depois de um chocolate quente no refúgio tínhamos que voltar tudo... mas daí era muito fácil. Para baixo todo santo ajuda. Não exigia nenhum esforço era só colocar um pé na frente do outro que a gravidade puxava e o vento dava uma forcinha empurrando. Rapidinho estávamos todos de volta ao estacionamento.

Entramos todos nos carros e descemos mais um pouco pela estrada. Lá embaixo o vento não era muito forte. Em certo ponto o carro parou para começarmos a descida em bicicleta até a Laguna Limpiopungo.

Eu não estava levando muita fé nessa descida, primeiro porque sei andar de bicicleta, mas fazer downhill em uma estradinha de terra com areia não era muito animador e segundo porque achava que não teria nenhuma bicicleta "do meu tamanho", mas tinha,  não exatamente do meu tamanho, mas "dava para andar".

Depois de ouvir todas as explicações sobre os freios, montei na minha bike e comecei. Não precisava pedalar afinal era montanha abaixo. Mas precisava ficar segurando o freio o tempo inteiro. Logo descobri que todas as explicações do guia sobre os freios não eram validas para mim. Fiquei só com o freio da frente o tempo inteiro e ele segurava bem o meu peso. Se ela começava a ir muito rápido levemente puxava o da roda de trás (e toda vez que eu fazia isso quase caia). No início eu estava bem medrosa e ía bem devagar até porque eu nunca tinha feito isso e a terra derrapava bastante. Depois aos poucos fui dando uma soltada e deixando a bici andar um pouco mais rápido. Depois de uns 15minutos minha mão do freio doía muitíssimo pelo esforço constante e minhas costas também (eu podia parar a qualquer momento, o carro das bicis estava vindo um pouco mais atras de mim). Mas continuei mais um pouco e mais um pouco até que a dor nas costas ficou insuportável e precisei parar mesmo. Uma pena que não cheguei na laguna (na verdade parei muito perto dela). Mas enfim... pela falta de experiência achei que me saí muito bem!!! E não caí nenhuma vez!!!

Eu queria ter tirado umas fotos durante a descida ou feito algum filmezinho, mas logo descobri que era impossível tirar uma das mãos da direção. Uma pena...

Lá em baixo o grupo me aguardava e o vulcão tinha preparado um presente para todos nós (para compensar o vento lá em cima, é claro). O Cume lindo e descoberto. Todos fizeram mil fotos desse momento. Cansados e satisfeitos pelo desfecho do vulcão nos encaminhamos para um almoço bem mais ou menos e no final o retorno a Quito.

São muitíssimas fotos, vou colocar aqui uma poucas e todo o resto está no album:
https://picasaweb.google.com/luizac.rs/30DeAgostoCotopaxi

Fotinhos:
Chegando no Parque

Tempo ruim para a subida

Chegando no Refúgio

Descendo pela trilha

Eu, minha bike e o Cotopaxi


Ok.... essa ficou legal!

29 de agosto de 2011

Mar Equatoriano

Hoje o dia foi sem graça... acordei tarde, com mais um dia fechado e chuvoso.
Almocei na beira da praia, de novo. Não vejo nenhum motivo para almoçar fora da praia. O vento estava forte e o plano de tomar banho de mar no Equador já estava indo para o saco mas pensei... no final do dia normalmente o mar está mais quente.

Me enchi de coragem, coloquei biquini e um shortinho e uma camiseta e fui para a praia. O plano era correr e caminhar até ficar com calor e daí entrar na água.
Caminhei e corri muito... para um lado e para o outro, mas o vento frio não me deixava suar e ter vontade de entrar na água. Depois de mais de uma hora. Tirei short e blusa e corri para dentro do mar!!!

Como era de se esperar a água não estava muito fria. Curti um pouco o mar Equatoriano mas logo saí pq estava ficando escuro e não tinha mais quase ninguém na água.

Pronto... valeu o dia.
Agora preciso fechar a mochila e ir pegar o bus para Quito.
Serão 9h de viagem.

Amanhã o Cotopaxi me espera... se todos os astros se alinharem e esse bus para Quito não atrasar nenhum minuto.... se chegar em Quito atrasado perco o passeio...

Sem fotos pois não levei a máquina para a praia.

28 de agosto de 2011

Isla Corazón

Depois de uma noite muito bem dormida acordei e logo da sacada da minha cabana percebi que o Equador estava em clima de último dia de férias. Famílias fazendo as malas, tirando fotos todos reunidos junto à piscina da Pousada... Estavam todos fazendo as malas, organizando os carros e indo embora.

Logo de manhã quando fui me informar sobre os ônibus para Quito descobri o que já era de se imaginar. Estavam todos lotados. Tanto os que saíam de Canoa, como San Vicente e Bahía. Fiquei pensando em mil alternativas para chegar em Quito, mas depois de muitos cálculos achei melhor pegar um bus para Quito direto amanhã de noite. O bus sai aqui de Canoa mesmo e vai direto viajando pela noite sem parar no caminho (estilo ninguém entra/ninguém sai, não antes de chegar no destino). Segundo o guia e muitas pessoas aqui do Equador essa é a única maneira segura de viajar de noite pelo país.

Devo chegar em Quito na terça às 6h da matina e às 6h45 tenho que estar no local marcado com a agência para fazer o meu último tour. O Vulcão Cotopaxi que me espere.. não vou até o cume, mas quero muito chegar na geleira. O ruim é que vou subir direto em um dia, desde o nível do mar até os 5.000 m.a.n.m., sem aclimatação. Vai ser complicado.
E se o ônibus para Quito atrasar, eu to ferrada, perco o passeio. Mas tenho certeza que mesmo que seja em cima do laço, vai dar tudo certo. Enfim... comprada a passagem de ônibus, feita a reserva do passeio e também a reserva do hostel em Quito para a última noite.

Bueno.. eu não sabia o que eu ía fazer hoje, mas logo no final da manhã começou a abrir o tempo e saiu o sol. Tinha um passeio que eu queria fazer para a Isla Corazón, mas tinham me dito que para uma pessoa era mais caro e tal. Fui em uma “agencia” ver se tinha mais alguém querendo ir e me deram uma informação bem diferente: Que eu poderia fazer por mim mesma, bastava chegar lá, onde o passeio era realizado e pagar U$20,00. Sozinha ou acompanhada o preço era esse. Enfim eu tinha que estar no local onde saia o passeio (um pouco depois de San Vicente, lembram da ponte?) pelas 13h30 que era o horário que a maré estava favorável. O local estava a uns 20km aqui de Canoa. Peguei um bus, desci em San Vicente e lá peguei outro daqueles moto-taxis. Bem tranquilo. Lá chegando conheci o  Julio, guia que iria me acompanhar no passeio.

A Isla Corazón é uma ilha fluvial, dentro do Río Chone. Se chama Isla Corazón por que Ilha tem esse formato. A ilha é na verdade um grande mangue e lar de muitas aves, caranguejos e outros animais. O lugar é maravilhoso. O passeio começa com a travessia do rio em um barco com motor (para passar a correnteza) e depois ingressamos dentro da ilha por uns túneis verdes em uma canoa a remo.
O passeio a remo por dentro do mangue é algo sem explicação! A coisa mais linda! Nossa canoa deslizava tranquilamente pelas águas, cercados de plantas e raízes, os caranguejos caminhando pelos troncos e diversas aves cantando ao redor (simultaneamente). O guia ía me mostrando cada ave e explicando sobre cada uma delas. Adorei muito! Aprendi várias coisas!

Depois tinha uma parte que era em uma trilha onde também o guia ía explicando sobre as árvores e a importância da preservação deste lugar para o meio ambiente. O passeio todo demorou cerca de 2h. Claro que não tem como comparar com um vulcão ou uma laguna em uma cratera, nem com ruínas incas... mas esse passeio, dentro do que ele prometia, foi um dos que eu mais gostei, especialmente a parte em canoa por dentro dos túneis de mangue.

Hoje em dia a Ilha está protegida e, as pessoas que antigamente cortavam o mangue, são as que hoje compreendem a importância do bioma e que protegem o lugar. Muy lindo isso. Depois de ter sido muito devastada, hoje em dia o mangue está crescendo e os animais ali estão seguros.

Terminado o passeio peguei um bus e voltei para Canoa. O plano era comer alguma coisa na praia e ficar por lá para curtir o final do dia (cheguei em canoa pelas 17h), mas o sol tinha ido (as nuvens tinham tomado conta do dia) e estava um vento forte e frio. Comi uns camarões a milanesa na beira da praia e não aguentei ficar mais tempo naquele ventão.

Agora estou na pousada praticamente sozinha. Todas as demais cabanas que até ontem estavam cheias de famílias e crianças estão vazias, foram todos embora. Esse clima de final de férias até combina com o meu clima de final de viagem. Mais dois dias e meio e vou embora daqui... E o pior é que ficou tanta coisa por ser vista...

Enfim, vou tomar um banho, colocar uma boa música e me jogar na minha rede!

Fotinhos:
Mapinha ilustrativo da ilha

Ingressando nos canais da ilha

Dentro do mangue...

Dentro do mangue...

Pelicano!

Fragata!

Inicio da trilha

Caminho dentro do mangue...

Entrelaçado de raízes

Rio Muchacho

A ideia de hoje era ir para essa propriedade agroecológica chamada Rio Muchacho (www.riomuchacho.com) que recebe turistas e voluntários para aprender a fazer coisas, trabalhar e ter experiências. Seguindo a linha de pensamento do Movimento Escoteiro o plano lá é aprender fazendo. Ninguém vai lá para olhar, o negócio é colocar a mão na massa, literalmente.

Eu teoricamente iria “dividir o passeio” com uma guria que acabou não aparecendo. Fui sozinha e lá conheci a Melissa, uma Estadunidense que foi minha “parceira” durante o dia.

Começamos já com a mão na massa preparando uma comida que não lembro o nome, feita a partir de Yuca, um tipo de mandioca (a Yuca é uma raiz que em todo Equador é super importante, talvez tanto quanto o milho). Tínhamos que ralar a raiz, depois tirar a mágua excedente, misturar com algumas outras coisas e levar ao forno.

Segunda parte ir tirar leite da vaca. Quem me conhece um pouco sabe que eu tenho medo de vaca. “medo de vaca?” “sim, medo de vaca, qual é o problema?” “É que vacas não fazem nada” “Pois é, baratas também não fazem nada. E 90% das mulheres saem correndo quando veem uma. E veja que a vaca tem umas 100 vezes o tamanho da barata...”

Enfim, depois de a vaca estar devidamente amarrada (a cabeça e os pés) nos aproximamos, eu a Melissa e o “guia”. O guia tirava o leite com expertisse (ele faz isso todo dia) já na vez da Melissa (tão urbana quanto eu), começou o fiasco. Não saía uma gota! De novo, de novo... nada. Até que veio um pingo! Depois um pequeno esguicho e coisa melhorou um pouco, mas não muito. Comigo não foi muito diferente, mas até tive um pouco mais de facilidade que ela. Também tive facilidade para dar um banho de leite em mim mesma e em uma puxada meio sem mira (será que minha calça vai azedar?). Tínhamos que encher um balde de 4L de leite...mas o guia ajudou muito a cumprir a tarefa!

Tirado o leite a tarefa era fazer queijo! O que na verdade foi facílimo. Eles colocam uma coisa que tipo endurece o leite. Daí o “queijo” fica em baixo, o soro em cima e depois é só uma questão de compactar e tirar a água excedente.

Parada para o almoço. Tudo natural (a propriedade é vegetariana). Arroz, uma sopa (no Equador se come sopa sempre todo o tempo, do café da manhã ao jantar), e uma coisa que parecia um purê, mas que não era feito de batata. E salada, é claro. Nada de louça e talheres convencionais. Os pratos são feitos por eles mesmo a partir de uma coisa que se parece com coco. E o talher é uma colherinha também feita desse material. Panelas de barro.

Na verdade quase não tem coisas de plástico na cozinha, fora um coador e outros utensílios mais específicos o resto era natural. Também não existem cestas de lixo, pois tudo lá é reciclado, ou vai para compostagem.

Pós almoço a atividade era produzir nosso próprio prato e colher. Cerramos a fruta e começamos a limpeza interna (coisa chatinha e demorada de fazer). E depois fizemos uma decoração externa, para personalizar. Ficou bem legal. Vou tomar uma sopa de capeletti no meu, quando chegar em Porto. Lá na propriedade eles tem uma oficina para produzir tudo que precisam em madeira e outros materiais naturais. Também fazem para vender como artesanato.

A penúltima atividade do dia era a pesca de camarão (apesar do local ser vegetariano, o camarão está autorizado). Não é pesca no mar, é um camarão de água doce, que fica em um pequeno rio dentro da propriedade. Na verdade nessa atividade não posso me vangloriar de ter participado. De pé descalço, no rio cheio de pedregulhos e uma espécie de argila que escorregava no fundo. Fiquei mais de observadora, pois não conseguia me mexer dentro do rio. A verdade é que a pesca foi um desastre o guia conseguiu pegar 3 camarõezinhos pequenos e um gigante! Disse o guia que para pegar mais tinha que ser um dia mais quente.

Enfim a última atividade era aplicação de mascara facial. Isso mesmo! Tem uma espécie de lama que eles preparam uma máscara facial para tirar rugas, espinhas e deixar a pessoa 5 anos mais jovem. A aplicação é interessante, mas quando aquilo seca na pele, começa a puxar tudo e parece que estão se abrindo todos os poros do rosto, bem estranho. Não dá para falar! Não dá para mexer os lábios! Quando já estávamos quase “prontas” o guia veio nos perguntar alguma coisa (nem lembro o que era) só nos olhamos e começamos a rir e não conseguíamos mais parar. E a mascara ía se “quebrando” e puxando a pele. Daí ele viu que não íamos mais parar de rir e nos mandou ir lavar o rosto. Pronto, fiquei com 23 anos de novo. Simples assim. Hehehe... Brincadeiras a parte a pele ficou bem lisinha mesmo depois.

Depois disso, hora de comer! Comemos a massa de Yuca que tínhamos preparado (excelente!!!), o queijo (ainda prefiro mais sequinho) e os camarões fritos. Esperamos nosso transporte e voltamos para Canoa.

As fotos na maioria são a Melissa fazendo as coisas, na hora achei ruim ficar pedindo para tirarem fotos minha até pq quase sempre estávamos comas mãos sujas, então tirei as fotos eu mesma, quando achei mais conveniente. E na verdade, apesar de não aparecer nas fotos, eu fiz tudo praticamente igual.

Era isso o dia de hoje... foi tudo ótimo. Várias experiências muito válidas.
Está super cedo, mas to muito cansada por que mais uma vez não dormi muito bem. É que tem uns morcegos que moram no telhado da minha cabana (do lado de fora) e várias vezes me acordei com o barulho deles de noite. Espero que hoje eles sejam mais silenciosos.

Fotos:
Preparando massa de yuca

Tirando leite da vaca...

Casa principal
Descansando....
Prato feito por mim!

Queijo, massa de yuca e Camarões

Mascara facial

26 de agosto de 2011

Rumo a Canoa

É... para ser bem sincera o hotel de Bahía acabou fazendo eu ter uma má impressão da cidade. Na verdade a cidade é interessante e até agradável. A cidade é uma peninsula cercada de mar por um lado e pelo enorme rio Chone do outro. A cidade foi declarada como uma Eco-cidade e 1999. Vejam a informação abaixo:

"Bahia de Caraquez é um dos destinos mais pacífico e ecologicamente correto, no Equador. Olhando para a beleza desta estância costeira, é difícil imaginar que ela foi quase completamente destruída pelos terremotos que sofreu em 1997 e novamente em 1998. Os terremotos e desastres naturais que abalaram Bahia de Caraquez foram resultado do fenômeno El Niño. Este eco-cidade é hoje um dos destinos mais limpo e mais seguro no Equador e seus trechos de praias espetaculares atraem centenas de visitantes por ano."

De manhã saí a caminhar e passear pela cidade. Praticamente dei toda a volta na península. Depois voltei para o muquifo para pegar minhas coisas e ir para Canoa.
Me disseram que tinha três formas para chegar lá. Pegar um barco para atravessar o rio Chone até San Vicente e aí pegar um ônibus, ou só pegar um ônibus próximo à ponte e ir direto (sendo que essa segunda opção era mais rápida). Ou pegar um taxi, que era a opção mais cara.

Apesar da ideia de pegar o barco me interessar, eu queria chegar o quanto antes em Canoa pois tinha feito uma reserva por telefone e como estava quase tudo lotado por lá, achei que se eu não chegasse no horário previsto, meu quarto poderia ser passado adiante. E eu correria o risco de passar outra num hotel ruim aonde tivesse restado alguma vaga.

Resolvi caminhar até a Ponte. Me disseram que eu deveria pegar um ônibus em cima da ponte. Achei a informação meio estranha... "os ônibus param para pegar pessoas em cima da ponte?". Achei melhor confirmar com outra pessoa. A informação foi a mesma.

Caminhando com a mochila nas costas logo descobri que a ponte ficava mais longe do que parecia.
Subi até a ponte e logo constatei que queria impossível pegar um ônibus ali. Até porque eu, enquanto pedestre, não tinha acesso à parte onde passavam os carros. Informação super furada².

E agora? Voltar tudo ou seguir e atravessar a ponte (a ponte mais comprida do Equador!)?. Quem anda para trás é galinha. Ajeitei bem minha mochila e pensei: "é só caminhar reto, sempre para frente, não tem lomba nem nada". A Mochila cargueira ía tranquila atrás, apoiada no quadril. O que logo começou a incomodar foi a pequena, que estava muito pesada (com netbook e mais algumas comidas pesadas) e eu carregava na frente. Mas era só um pouco mais de dois Kilômetros...

Eu ía caminhando e o mormaço começou a se transformar em sol... minha cabeça estava esquentando. Dei uma parada estratégica para tomar um gole de suco e colocar meu lenço na cabeça para aliviar o sol. Sem enrolação... ficar sentada no meio da ponte no sol não ía ajudar em nada.

Caminhei rapidinho e logo o final da ponte se aproximava. Percebi também que acabar a ponte não era acabar a caminhada pois, mesmo em terra, o caminho continuava com a estrada e não tinha como eu sair. Ok... caminhando só mais um pouquinho e por fim, eu estava do outro lado da ponte! E daí? Meu objetivo era ir até Canoa, não até o outro lado da ponte... Achei que já tinha gasto todo meu tempo e esforço físico. Pensei "vou pegar o primeiro meu de transporte que vier". Veio um moto-taxi! Beleza! Fiz sinal para ele parar: "hasta canoa, cuanto vale?" "U$5". Entrei rapidinho no tal moto-taxi (que na verdade é uma moto-triciclo com uma lona).

Eram uns 15km até Canoa. Eu só não imaginava que era como se fosse 15km dentro de um liquidificador. A estada tem partes horríveis e eu pulava e pulava naquele banco do moto-taxi. Na boa, sem indecências, pulava tanto que eu tive que cruzar os braços para segurar os seios. Que horror!
Mas nas partes que a estrada estava boa era divertido, fora quando passavam os caminhões e comíamos muita terra.

Enfim, depois de todos esses percalços cheguei em Canoa. Uma praia 100% com cara de praia. Mar com ondas, pessoas no mar, pessoas nas barraquinhas, quiosques na beira da praia, hippies, artesanatos, restaurantes. E o melhor de tudo: a reserva do meu hotel continuava válida!
"ganhei" uma cabana com banheiro, água quente varanda com rede, mosquiteiro, tudo isso em um hotel com piscina, ampla área verde e área comum, tudo ao ar livre. Também tem internet livre (só não pega na minha cabana). Só não está na beira da praia, mas ok, até pq na beira da praia fica todo o agito, com música alta e essas coisas.

Almocei um pescado em um quiosque na beira da praia. Depois fiquei curtindo o local. O dia estava nublado e tinha um vento forte de modo que não me animei de colocar biquíni para entrar na água. Quem sabe amanhã, se tiver menos vento.

Também reservei um passeio bem legal que vou fazer amanhã em uma propriedade rural em uma comunidade onde tudo é ecologicamente correto. O legal é fazer um passeio de três dias nessa propriedade, mas como eu não tenho mais todo este tempo vou fazer um tour de um dia mesmo.

São 22h e já to caindo de sono, afinal ontem não dormi praticamente nada.

Fotinhos:
Vista geral de Bahía de Caráquez (googleada)

Praia de Bahía de Caraquez

Calçadão de Bahía Caraquez

Hotel muquifo em Bahía 
A ponte Bahía - San Vicente

Rumo a Canoa no Moto-taxi

Meu hotel em Canoa!

As falésias de Canoa...
Mais fotos em: https://picasaweb.google.com/luizac.rs/26DeAgostoCanoa

Videozinho :